O milho safrinha de 2027 começa a ser decidido agora, no plantio da soja. Cada dia de atraso na semeadura da oleaginosa é um dia a menos na janela do cereal. Em ano de El Niño forte, com chuva irregular no início e risco de replantio, essa conta precisa ser feita antes de a plantadeira entrar.
As datas que definem a janela do milho safrinha
- Milho em Mato Grosso: a referência é semear até 28 de fevereiro. Em anos normais, cerca de 90% do milho do estado é plantado até o fim desse mês.
- Algodão de segunda safra em Mato Grosso: a referência é 31 de janeiro.
- Milho em Mato Grosso do Sul: a pesquisa agronômica do estado estima perda de 1 a 2 sacas por hectare para cada dia de plantio em março.
O que acontece quando a soja atrasa
Em 2020/21, o plantio da soja atrasou em Mato Grosso e a colheita foi uma das mais lentas já registradas. No levantamento estadual, 45,34% da área de milho do estado foi semeada fora da janela ideal. A produtividade esperada foi reduzida em 3,56%.
O atraso da soja tem dois caminhos. O primeiro é a chuva que não firma e adia a semeadura. O segundo é o replantio, que reinicia o ciclo em parte da área.
A conta para a sua área
A data de colheita da soja é a data de semeadura mais o ciclo da cultivar. O exemplo a seguir usa um ciclo de 110 dias.
Tabela 1. Data de semeadura da soja e data provável de colheita, ciclo de 110 dias
| Semeadura da soja | Colheita provável | Situação do milho em Mato Grosso |
| 10 de outubro | 28 de janeiro | Um mês de folga para semear dentro da janela |
| 25 de outubro | 12 de fevereiro | Dentro da janela, com cerca de duas semanas de folga |
| 10 de novembro | 28 de fevereiro | No limite. Qualquer chuva na colheita tira o milho da janela |
| 25 de novembro | 15 de março | Fora da janela ideal |
Cálculo do time Agroclima. O ciclo varia com a cultivar, a região e a temperatura. Use o ciclo informado pelo obtentor para a sua área.
Duas observações mudam a leitura da tabela. A primeira: calor acima da média encurta o ciclo da soja, o que antecipa a colheita mas costuma reduzir a produtividade. A segunda: a colheita não é instantânea. Uma semana de chuva em fevereiro consome a folga inteira de quem semeou no fim de outubro.
Para quem organiza recebimento e transporte
Plantio atrasado e concentrado em poucos dias resulta em colheita concentrada. Quando a chuva só firma em novembro, boa parte da área é semeada na mesma semana e amadurece junta. O efeito aparece em fevereiro e março: fila no armazém, secadores no limite e frete mais disputado, no mesmo momento em que o milho precisa entrar.
O ritmo semanal de semeadura em cada região é o primeiro sinal desse pico. Regiões que avançam devagar em outubro e aceleram em novembro merecem atenção antecipada de quem planeja turnos, frota e capacidade de secagem.
Três decisões que protegem a segunda safra
- Definir uma data de corte por talhão. A partir de certo dia, a soja semeada ali não permite milho na janela. Saber essa data antes evita a decisão no susto.
- Reservar os talhões de milho para a primeira leva. Onde haverá segunda safra, a soja entra primeiro, desde que o solo tenha umidade. Onde não haverá, a semeadura pode esperar chuva mais firme.
- Combinar ciclos. Cultivar mais precoce nos talhões de safrinha e ciclo mais longo nos demais distribui o risco e a colheita.
Existe um limite para esse raciocínio. Antecipar a soja em solo sem reserva para salvar o milho pode custar as duas culturas: a soja por replantio, o milho pelo atraso que o replantio provoca.
Conclusão
O milho safrinha depende de uma soja que emerja bem na primeira tentativa. Em 2026/27, a Climatempo aponta chuva demorando a regularizar em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, o que estreita a margem. No Agroclima, a cobertura acompanha o plantio da soja já de olho na janela da segunda safra.