Veranico na soja: quando ele causa mais dano e como reduzir a perda 

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O veranico na soja é um período de dias seguidos sem chuva dentro da estação chuvosa, quase sempre acompanhado de sol forte e calor. O mesmo veranico de dez dias pode passar sem deixar marca ou tirar várias sacas por hectare. A diferença está na fase em que a lavoura se encontra e na reserva de água que o solo tinha quando a chuva parou. 

A conta do veranico na soja em cada fase 

A lavoura consome água todos os dias, chova ou não. O consumo cresce com a planta. 

Tabela 1. Água que a lavoura deixa de receber em dez dias sem chuva 

Fase Consumo diário Demanda em 10 dias Efeito mais comum 
Emergência e início do vegetativo 2 a 3 mm 20 a 30 mm Morte de plântulas e falha de estande, se o perfil não estiver recarregado 
Floração e enchimento de grãos 7 a 8 mm 70 a 80 mm Abortamento de flores e vagens, grão menor e mais leve 

Consumo de água: referência agronômica para a cultura. Demanda em dez dias calculada pelo time Agroclima. 

No início, o volume em jogo é pequeno, mas a raiz é curta e alcança pouca água. No enchimento de grãos, a raiz é profunda, mas a demanda triplica. Da floração ao enchimento, a soja pede de 120 a 300 mm. Dez dias secos nessa fase representam uma parte grande desse total. 

Por que o dano do início aparece no fim 

O veranico de outubro e novembro raramente mata a lavoura inteira. Ele deixa estande irregular, plantas mais baixas e raiz concentrada na superfície. Essa lavoura chega à floração com menos capacidade de buscar água e enfrenta o período de maior consumo em desvantagem. 

Foi o que se viu em Mato Grosso em 2023/24. Em dezembro, depois do replantio, a estimativa estadual era de queda de 7% na produção. O resultado final ficou perto de 14% abaixo da safra anterior. 

O calor aumenta o dano 

Veranico com temperatura alta seca o solo mais rápido e soma um segundo estresse. Acima de 38°C, a soja aborta flores e vagens mesmo com alguma água disponível. Em solo descoberto, a superfície pode passar de 55°C e lesionar o caule das plântulas. 

Para o restante de outubro, a Climatempo prevê vários dias com 40°C ou mais em Mato Grosso e Goiás. A previsão de primavera indica que os veranicos continuam nesses estados e no Distrito Federal enquanto a chuva não regulariza. 

O que reduz a perda 

  • Palhada. Reduz a evaporação e a temperatura da superfície. É a medida de maior efeito e a única que protege a área inteira. 
  • Perfil de solo sem compactação. Raiz que desce alcança água que a raiz superficial não alcança. 
  • Escalonamento. Talhões semeados em datas diferentes não estão na mesma fase quando o veranico chega. 
  • Cultivares de ciclos diferentes. O mesmo princípio, aplicado à floração. 
  • População ajustada. Excesso de plantas aumenta a disputa por água. Siga a recomendação da cultivar para a sua região. 
  • Semeadura com perfil recarregado. A lavoura que nasce com reserva atravessa o primeiro veranico. 

Durante o veranico: o que observar 

  • Murcha que persiste no fim da tarde e de manhã cedo indica que a reserva do solo acabou. 
  • Aplicações de defensivos com a planta sob estresse perdem eficiência. Vale rever o calendário com o agrônomo. 
  • Registre a data de início e de fim por talhão. Essa informação orienta a vistoria na floração e ajuda em eventual acionamento de seguro. 

O que acompanhar nos próximos dias 

  • A duração do intervalo seco previsto depois da próxima chuva. 
  • A temperatura máxima durante esse intervalo. 
  • A fase em que cada talhão estará quando ele chegar. 

Conclusão 

O veranico na soja custa mais quanto mais tarde chega e quanto menos reserva o solo tem. As medidas que protegem a lavoura são tomadas antes dele: palhada, perfil recarregado e áreas em fases diferentes.