Custo de produção da soja 2026/27: quantas sacas a lavoura precisa colher para pagar a conta 

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O custo de produção da soja 2026/27 subiu de novo, e o clima desta safra aumenta a chance de colher abaixo do planejado. A pergunta de gestão é direta: quantas sacas por hectare a lavoura pode perder antes de a conta deixar de fechar? Este artigo faz o cálculo com os números de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

Custo de produção da soja 2026/27 em Mato Grosso 

O custeio da soja no estado chegou a R$ 4.326 por hectare em agosto, 2,08% acima da safra passada. Equivale a 38,7 sacas por hectare. Em julho, o levantamento apontava alta de 5,74% nos fertilizantes e de 22,74% nas operações mecanizadas. 

Custeio é só uma parte da conta. Em janeiro, o custo operacional efetivo era 40% maior que o custeio. A produtividade de referência usada no cálculo do ponto de equilíbrio de abril era de 62,4 sacas. 

Quanto de quebra a margem suporta 

A tabela aplica à produtividade de referência as perdas que Mato Grosso teve nas duas últimas safras de El Niño. 

Tabela 1. Simulação para Mato Grosso, em sacas por hectare 

Cenário Produtividade Sobra sobre o custeio (38,7) 
Produtividade de referência 62,4 23,8 
Perda igual à de 2015/16 (-7,1%) 58,0 19,3 
Perda igual à de 2023/24 (-16,2%) 52,3 13,6 
Perda de 2023/24 e replantio com nova adubação 52,3 6,2 

Simulação do time Agroclima com dados oficiais de custo e de produção. O custeio não inclui depreciação, arrendamento nem custo da terra. 

Uma repetição de 2023/24 reduz a sobra sobre o custeio de 23,8 para 13,6 sacas, antes de depreciação, arrendamento e demais custos. Com replantio, ela cai para um quarto da original. 

Mato Grosso do Sul: a conta do arrendamento 

O levantamento de custos do estado aponta R$ 5.025 por hectare, ou R$ 6.818 com arrendamento, para uma produtividade esperada de 52,4 sacas. 

Tabela 2. Ponto de equilíbrio em Mato Grosso do Sul 

Situação Ponto de equilíbrio (sc/ha) Diferença para a produtividade esperada 
Terra própria 42,0 Folga de 10,4 sacas 
Terra arrendada 57,0 Faltam 4,6 sacas 

Levantamento de setembro de 2026, com preço de referência de R$ 119,52 por saca. 

Em 2023/24, a produtividade do estado caiu 21,8%. Uma queda desse tamanho sobre 52,4 sacas resulta em 41 sacas, abaixo do ponto de equilíbrio até em terra própria. 

O que o El Niño forte coloca em risco na planilha 

Na leitura do time técnico da Climatempo, os possíveis impactos do El Niño forte na safra 2026/27 são janela de operação mais curta, maior risco de replantio, maior pressão de doenças, colheita antecipada em parte das áreas e pressão sobre o calendário da segunda safra. Cada um deles tem uma linha correspondente no custo. 

  • Replantio: semente, combustível e hora de máquina pagos duas vezes. 
  • Pressão de doenças: mais aplicações e menor intervalo entre elas. 
  • Janela de operação curta: hora extra, turno adicional ou máquina terceirizada para plantar e colher no prazo. 
  • Segunda safra pressionada: milho fora da janela e receita menor na mesma área. 

O que fazer com essa conta 

  • Calcule o seu ponto de equilíbrio por talhão. Áreas arrendadas e áreas próprias têm contas diferentes e merecem níveis de risco diferentes. 
  • Plante primeiro e com mais cuidado onde a margem é menor. É nelas que um replantio custa mais caro em proporção. 
  • Trate o estande como investimento. Cada falha de plantio evitada vale as sacas da tabela 1. 
  • Revise seguro e Proagro antes de semear. Confira enquadramento no zoneamento, data de plantio e exigência de comunicação de perdas. 
  • Acompanhe a lavoura até a colheita. Boa parte da perda de produtividade se define na floração e no enchimento de grãos. 

Conclusão 

O custo de produção da soja 2026/27 deixa pouca distância entre a safra planejada e o prejuízo, principalmente em área arrendada. Em ano de El Niño forte, proteger o início da lavoura é proteger a margem.