Frente fria provoca temporais no Sul e mantém tempo seco nas principais regiões agrícolas do Brasil

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Pela meteorologista Dayane Figueiredo

Nesta semana, o destaque fica para a passagem de uma frente fria pelo litoral do Sudeste no início do período e para a organização de um evento de tempo severo no Sul do Brasil a partir da segunda metade da semana. Os mapas de acumulado indicam chuva mais concentrada sobre o Espírito Santo, leste de Minas Gerais, sul da Bahia, faixa leste do Nordeste, áreas da Região Norte e, principalmente no fim de semana, sobre o Rio Grande do Sul. Já grande parte do interior do Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba deve seguir com predomínio de tempo seco.

Entre esta segunda e a terça-feira, uma frente fria no oceano próximo ao litoral do Sudeste favorece a ocorrência de chuva entre a faixa leste de São Paulo, Rio de Janeiro, leste de Minas Gerais e, principalmente, Espírito Santo. Também há intensificação da chuva sobre áreas do sul da Bahia. Nas demais áreas do interior do Sudeste, o tempo fica mais úmido e com bastante nebulosidade, mas a chance de chuva significativa é menor.

A partir da quarta-feira, a frente fria se afasta gradualmente para o oceano e as instabilidades ficam mais concentradas sobre a Bahia. No Sudeste, o ar seco e frio passa a predominar, com tempo mais firme em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As madrugadas ficam mais frias, com mínimas em torno de 5 °C nas áreas mais frias do Sul de Minas Gerais e entre 7 °C e 8 °C no interior paulista, mas sem indicativo relevante de geada nas áreas agrícolas do Sudeste.

No decorrer da segunda metade da semana, o tempo seco ganha força sobre grande parte do Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste. A umidade relativa do ar deve cair durante as tardes, com atenção para índices baixos no interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e oeste da Bahia. Esse padrão favorece a retomada das operações de campo, mas aumenta a atenção para desconforto térmico, poeira e maior demanda hídrica em áreas agrícolas.

No Sul do Brasil, o início da semana ainda será marcado por tempo mais firme e frio, com risco de geada em áreas do Rio Grande do Sul, Serra catarinense e pontos do sul do Paraná. A partir de quinta-feira, 16 de julho, o cenário muda com a intensificação das instabilidades no Rio Grande do Sul. Entre quinta-feira e o fim de semana, há risco de temporais, rajadas fortes de vento, granizo, raios e chuva volumosa, com possibilidade de transtornos em áreas produtoras. No sábado e domingo, 18 e 19 de julho, a chuva deve ganhar força no estado, dentro de um padrão que pode persistir também na semana seguinte e deve provocar paralizações nas atividades em campo.

No Nordeste, a chuva fica mais concentrada entre o litoral da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Entre quinta-feira e sábado, a instabilidade costeira tende a se intensificar entre Maceió e Recife, enquanto no interior nordestino e no Matopiba, o predomínio ainda será de tempo seco e umidade relativa do ar baixa durante as tardes.
Na Região Norte, as pancadas de chuva seguem mais frequentes sobre Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará e de forma mais isolada e fraca sobre  áreas do Acre, sul do Amazonas e Rondônia.

CAFÉ

Nas áreas produtoras de café, o começo da semana será mais desfavorável às atividades de colheita e secagem dos grãos, principalmente no Espírito Santo, leste de Minas Gerais, Zona da Mata, Rio de Janeiro, leste paulista e sul da Bahia. As áreas cafeeiras do Espírito Santo podem receber acumulados em torno de 20 mm a 30 mm até a terça-feira, enquanto o sul da Bahia também terá aumento da chuva. No Sul de Minas, Alta Mogiana, Cerrado mineiro e demais áreas do interior de Minas Gerais e São Paulo, a chuva será mais irregular, mas a nebulosidade e a umidade ainda podem comprometer momentaneamente a secagem. A partir de quarta-feira, o tempo seco volta a predominar no Sudeste, favorecendo a retomada das operações. O frio será mais intenso nas madrugadas, com mínimas próximas de 5 °C nas áreas mais frias do Sul de Minas, mas o risco de geada e danos aos cafezais é muito baixo.

MILHO

Para o milho segunda safra, o predomínio de tempo seco em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, interior de Minas Gerais, São Paulo e Matopiba favorece a maturação, a colheita, o transporte e o escoamento da produção ao longo da semana. A atenção fica para o aumento da chuva no Sul do País a partir do final de semana, com potencial para interrupções nas operações de campo e aumento da umidade dos grãos em partes do Paraná. Neste estado, a chuva deve ser mais irregular neste primeiro momento, mas o avanço das instabilidades no início da próxima semana deve provocar aumento das chuvas especialmente no sudoeste Paranaense.

CANA-DE-AÇÚCAR

Nas áreas de cana-de-açúcar do Centro-Sul, a frente fria pode causar interrupções pontuais no início da semana, especialmente em áreas do leste paulista e sul de Minas Gerais, por causa da nebulosidade, umidade e chuva fraca. A partir de quarta-feira, o tempo seco volta a favorecer o avanço da colheita, carregamento, transporte e moagem em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. As temperaturas mais baixas nas madrugadas não devem trazer danos significativos à cultura.

ALGODÃO

Nas áreas produtoras de algodão de Mato Grosso, Goiás, oeste da Bahia, Tocantins, sul do Maranhão e sul do Piauí, o padrão segue majoritariamente favorável às operações de campo, com predomínio de tempo seco e baixos acumulados. Esse cenário contribui para maturação, desfolha, colheita e transporte. A atenção permanece voltada para a baixa umidade relativa do ar durante as tardes, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba. No interior da Bahia há previsão para aumento da umidade, devido o avanço de instabilidades associadas a aproximação de uma frente fria, mas a chance para ocorrência de chuva significativa é baixa.

TRIGO E CULTURAS DE INVERNO

Para trigo, cevada, aveia e demais culturas de inverno, o início da semana será marcado por frio no Sul do Brasil, com risco de geada em áreas do Rio Grande do Sul, Serra catarinense e sul do Paraná. Em geral, os impactos tendem a ser limitados nas lavouras em fase inicial, embora o frio possa retardar temporariamente o desenvolvimento. A partir de quinta-feira, o principal ponto de atenção passa a ser o risco de tempo severo e chuva volumosa no Rio Grande do Sul, com possibilidade de granizo, vento forte e excesso de umidade, o que pode dificultar semeadura, tratos culturais e aplicações no campo.