Semana será de contrastes no campo: chuva no Sul e tempo seco favorecendo a colheita no Centro-Sudeste

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Pela meteorologista Dayane Figueiredo

Nesta semana, entre os dias 29 de junho e 5 de julho, o destaque fica para a atuação frequente de instabilidades sobre o Sul do Brasil. Neste começo da semana uma frente fria mantém o tempo chuvoso desde o norte do Rio Grande do Sul até Santa Catarina e áreas entre o sul e o leste do Paraná, com condição para temporais, raios, rajadas de vento e acumulados elevados.

Na terça-feira, 30 de junho, a frente fria começa a se afastar, mas a circulação de ventos em baixos níveis ainda direciona umidade para o Sul do Brasil. Além disso, a formação de uma baixa pressão em superfície, próxima à costa de Santa Catarina, mantém as instabilidades sobre a região. A chuva volta a atingir o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, ainda com potencial para temporais localizados.

Na quarta-feira, 1º de julho, uma nova frente fria continental avança pela Argentina, acompanhada de uma massa de ar polar intensa. Esse sistema reforça a instabilidade em parte do Sul, especialmente entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ao longo da segunda metade da semana, o ar frio ganha força e provoca queda acentuada das temperaturas, com risco de geada em áreas mais altas e baixadas da Região Sul especialmente a partir da sexta-feira.

No Sudeste, a maior parte das áreas produtoras deve seguir com predomínio de tempo seco durante boa parte da semana. Enquanto chove de forma expressiva no Sul, o tempo seco se intensifica nas áreas produtoras, e as temperaturas ficam em gradativa elevação durante as tardes. Esse cenário favorece as atividades de colheita e secagem dos grãos de café e o corte e moagem da cana de açúcar.

A partir da sexta-feira, a frente fria avança pelo oceano, próxima à costa do Sudeste, e pode espalhar instabilidades pelo interior da região. No entanto, nas áreas produtoras de café, caso ocorra chuva, ela deve ser bastante pontual e com baixos acumulados. No Espírito Santo e no sul da Bahia, também são esperados apenas eventos isolados e pouco volumosos ao longo dos próximos dias.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul será o estado mais influenciado pela frente fria que atuará no Sul do Brasil, com aumento de nebulosidade, pancadas de chuva e queda de temperatura. Em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, o padrão ainda será de tempo mais seco na maior parte da semana e temperaturas em elevação. Esse cenário favorece colheita, transporte e manejo, mas mantém atenção para a baixa umidade em áreas agrícolas.

No Nordeste, o interior segue com predomínio de tempo seco, principalmente nas áreas do Matopiba. A chuva fica mais concentrada na faixa litorânea, com pancadas entre o litoral da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. No interior, a baixa umidade do solo segue como ponto de atenção, apesar de favorecer as operações de campo.

Na Região Norte, a chuva segue mais frequente sobre Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará. Já no sul do Pará, Tocantins, Rondônia e Acre, as instabilidades tendem a ser mais irregulares, com períodos maiores de tempo firme. O mapa de acumulado previsto indica volumes mais elevados no extremo norte do país, enquanto o centro do Brasil permanece com pouca ou nenhuma chuva.

No fim de semana, entre 4 e 5 de julho, a chuva perde força em parte do centro-sul, mas ainda pode ocorrer de forma pontual no Sul e em áreas próximas ao litoral. O destaque passa a ser a presença do ar frio, especialmente nas madrugadas, com temperaturas baixas no Sul e sensação de frio também avançando para parte do Sudeste e de Mato Grosso do Sul.

CAFÉ

Nas áreas produtoras de café, o cenário da semana é favorável para o avanço da colheita e da secagem dos grãos. O tempo seco deve predominar no interior do Brasil, enquanto a chuva mais expressiva fica concentrada no Sul do país, associada à instabilidades persistentes sobre a Região Sul. As temperaturas ficam em gradativa elevação durante o dia, sem indicativo de frio intenso nas principais áreas cafeeiras. Nas madrugadas, as mínimas devem variar entre 12°C e 14°C entre a Alta Mogiana Paulista e o sul de Minas Gerais. A partir de sexta-feira, com o avanço da frente fria pelo oceano, pode haver aumento de instabilidade no Sudeste, mas nas áreas produtoras de café a chuva tende a ser pontual e com baixos acumulados. No Espírito Santo e no sul da Bahia, também há previsão de pancadas isoladas e pouco volumosas.

MILHO

Para o milho segunda safra, a chuva no Sul, nas áreas do Paraná e em Mato Grosso do Sul pode atrasar a colheita, elevar a umidade dos grãos e dificultar o transporte, especialmente no início da semana. Em Mato Grosso, Goiás e Matopiba, o tempo seco continua favorecendo maturação, colheita e escoamento. O frio mais intenso exige atenção em lavouras tardias do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e áreas mais ao sul de São Paulo.

CANA-DE-AÇÚCAR

Nas áreas de cana-de-açúcar do Centro-Sul, a chuva deve impactar principalmente Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, com possibilidade de interrupções pontuais na colheita, carregamento, transporte e moagem. Em boa parte de São Paulo, de Minas Gerais e do Centro-Oeste, o tempo mais seco favorece o andamento das operações. A queda de temperatura na segunda metade da semana pode reduzir temporariamente o ritmo vegetativo da cana nas áreas mais ao sul do País.

ALGODÃO

Nas áreas produtoras de algodão de Mato Grosso, Goiás, oeste da Bahia, Tocantins e sul do Piauí, o predomínio de tempo seco continua favorecendo maturação, desfolha, manejo e avanço das operações de campo. A chuva mais organizada fica concentrada no sul de Mato Grosso do Sul. A baixa umidade favorece a colheita nas áreas mais avançadas, mas segue exigindo atenção em lavouras tardias.

TRIGO E CULTURAS DE INVERNO

Para trigo, cevada, aveia e demais culturas de inverno, a chuva no Sul ajuda a melhorar a umidade do solo, favorecendo áreas em implantação e desenvolvimento inicial. Por outro lado, os temporais podem atrasar semeadura, tratos culturais e aplicações. A partir da segunda metade da semana, o avanço de uma massa de ar polar intensa aumenta o risco de geada em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, especialmente em regiões de maior altitude e baixadas. Em lavouras recém-emergidas, a queda brusca de temperatura pode causar estresse, com impacto variando conforme o estádio de desenvolvimento. Neste momento, de uma forma geral, os impactos não são tão severos e apenas devem retardar um pouco o desenvolvimeto dos cultivos.