Pela meteorologista Dayane Figueiredo
Nesta semana, entre os dias 18 e 24 de maio, as instabilidades seguem mais frequentes sobre o Norte do Brasil e a faixa norte do Nordeste, ainda associadas à atuação da ZCIT e ao transporte de umidade da Amazônia. Os maiores acumulados devem ocorrer entre Amazonas, Roraima, norte do Pará, Amapá e áreas do norte do Nordeste, com volumes moderados a elevados. Esse padrão mantém boa disponibilidade de umidade no solo, favorecendo culturas em desenvolvimento, mas ainda pode causar dificuldades pontuais nas operações de campo e logística.
No Centro-Sul do Brasil, o destaque é a passagem de uma frente fria pelo litoral entre as regiões Sul e Sudeste no início da semana. O sistema deve provocar mudanças no tempo, com chuvas fortes entre São Paulo e o sul de Minas Gerais, podendo interromper temporariamente atividades de colheita, manejo e transporte. Nas demais áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste, as chuvas devem ocorrer de forma mais isolada e com fraca intensidade, mas ainda podem trazer alívio pontual à umidade do solo e beneficiar lavouras de milho segunda safra em desenvolvimento.
Por outro lado, o tempo mais seco e quente ainda predomina sobre áreas do norte de Minas Gerais, norte de Goiás e interior do Matopiba. Nessas regiões, a baixa frequência de chuva mantém atenção para a redução da umidade do solo, especialmente em lavouras que ainda dependem de precipitações. Apesar de favorecer o avanço de atividades de campo e colheita, esse padrão pode aumentar o risco de estresse hídrico em áreas mais sensíveis.
Quanto às temperaturas, uma massa de ar polar atua sobre o Sul do Brasil, mantendo temperaturas baixas ao longo do início da semana. Devido ao frio mais intenso, há risco para formação de geadas entre o interior do Rio Grande do Sul, áreas mais elevadas de Santa Catarina e o sul do Paraná, o que exige atenção em lavouras sensíveis e áreas de baixada. No Sudeste e no Centro-Oeste, a queda nas temperaturas deve ser mais pontual, associada à passagem da frente fria.
CAFÉ
Até a quarta-feira, atuação de uma frente fria sobre o litoral do Sudeste vai manter o tempo bastante instável sobre áreas produtoras de café entre São Paulo e Sul de Minas Gerais. São esperados volumes de precipitação que podem ultrapassar 50 mm em localidades entre o interior de São Paulo, Alta Mogiana, extremo sul e partes da zona da Mata Mineira. Essa chuva deve trazer paralisações nas atividades em campo e pode impactar a qualidade de grãos em algumas áreas. A chuva se espalha também sobre o Rio de Janeiro e partes do Espírito Santo nos próximos dias. No Espírito Santo e sul da Bahia os episódios tendem a chegar de forma mais pontual e com menores volumes acumulados. Em áreas do Cerrado também pode chover de forma pontual e fraca. As temperaturas vão continuar mais amenas sobre o centro sul do país, tanto as mínimas quanto as máximas devem ficar mais baixas nos próximos dias. Mas por enquanto não há indicativo de frio extremo ou risco para as áreas de café.
MILHO
Para o milho segunda safra, a passagem da frente fria deve trazer uma melhora importante nas condições de umidade, especialmente entre São Paulo e o sul de Minas Gerais, onde são esperadas chuvas mais fortes no início da semana. Esses volumes devem beneficiar as lavouras em desenvolvimento, ajudando na reposição da umidade do solo e reduzindo o risco de estresse hídrico. Nas demais áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste, as chuvas devem ocorrer de forma mais isolada e com fraca intensidade, ainda assim podendo trazer alívio pontual às lavouras. Por outro lado, a chuva pode provocar interrupções temporárias nas atividades em campo, principalmente nas áreas com precipitação mais intensa.
CANA DE AÇÚCAR
Nas áreas produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul, a frente fria deve provocar mudanças no tempo ao longo do início da semana. Entre São Paulo e o sul de Minas Gerais, a previsão de chuvas fortes pode interromper temporariamente a colheita, o carregamento e o transporte da cana, além de afetar o ritmo das operações industriais. Nas demais áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste, as chuvas tendem a ser mais isoladas e de fraca intensidade, com impactos mais pontuais sobre as atividades de campo. Apesar das possíveis paralisações, a chuva contribui para melhorar a umidade do solo em áreas que vinham enfrentando tempo mais seco.
ALGODÃO
Nas áreas produtoras de algodão do Centro-Oeste, a frente fria deve favorecer a ocorrência de apenas chuvas isoladas e de fraca intensidade na maior parte das regiões, com impacto limitado sobre o armazenamento de umidade no solo. No centro e oeste da Bahia, o predomínio ainda deve ser de tempo mais seco na maior parte da semana, favorecendo as operações de campo. A atenção segue voltada ao avanço do déficit hídrico em áreas com pouca chuva acumulada.