Pela meteorologista Dayane Figueiredo
Entre segunda e terça-feira, uma área de baixa pressão se intensifica e dá origem a um ciclone extratropical, associado a uma nova frente fria. Com isso, há previsão de temporais sobre a Região Sul, com volumes mais elevados concentrados entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, podendo variar entre 50 e 120 mm, com acumulados pontualmente superiores. No leste catarinense, a chuva já ocorre de forma persistente desde segunda-feira devido à circulação marítima.
A formação do ciclone também favorece rajadas de vento intensas em grande parte do Centro-Sul, além de provocar alerta para ressaca no litoral. Até a metade da semana, os maiores volumes se concentram no Sul, mas a partir de quarta-feira a frente fria avança e espalha as instabilidades pelo interior do país.
Entre o Centro-Oeste e o Sudeste, especialmente em áreas de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, Triângulo Mineiro e interior de São Paulo, os volumes devem variar entre 20 e 50 mm, com eventos mais localizados podendo superar esses valores. Essas chuvas são importantes para a manutenção da umidade do solo, favorecendo culturas em desenvolvimento, como o milho segunda safra, mas podem provocar interrupções pontuais nas atividades de campo, principalmente na colheita da soja e no início das operações com cana-de-açúcar.
No Norte do Brasil, a semana segue com chuvas frequentes e bem distribuídas, com volumes entre 40 e 100 mm, mantendo bons níveis de umidade no solo, embora também dificultem o avanço das atividades em campo. Já no Nordeste, a atuação de distúrbios ondulatórios de leste favorece volumes elevados entre o litoral de Pernambuco e o Rio Grande do Norte, com acumulados que podem variar entre 30 e 80 mm, enquanto no interior da região as chuvas ocorrem de forma mais irregular.
Com a passagem do ciclone e frente fria pelo centro-sul do Brasil, haverá também mudanças nas temperaturas. Tanto as mínimas quanto máximas ficarão mais baixas na segunda metade da semana. Nas áreas mais frias do Sul do País as temperaturas mínimas devem ficar abaixo dos 10°C entre a quinta e a sexta-feira.
CAFÉ
A semana começa com a formação de um ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil, o que vai favorecer a ocorrência de chuvas intensas até a metade da semana sobre esta região. Enquanto isso, são esperados episódios de chuva mais moderados e na forma de pancada sobre áreas produtoras de café de São Paulo e do Triângulo Mineiro. Enquanto nas demais áreas, se chover será de forma muito pontual e fraca. A partir da quarta-feira uma frente fria associada ao ciclone no Sul do país vai avançar pelo litoral do Sudeste aumentando de forma significativa os ventos e também provocando chuvas mais intensas e generalizadas. Entre a quarta e a sexta-feira os maiores volumes de chuva devem atingir áreas entre o interior de São Paulo, Sul e Triângulo Mineiro, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Especialmente no interior de São Paulo e no Espírito Santo os volumes elevados de chuva podem provocar até mesmo transtornos em lavouras. Enquanto no sul de Minas Gerais os volumes médios devem ficar em torno de 20 a 30 mm e favorecem a manutenção da umidade do solo. No interior da Bahia são esperados episódios muito pontuais e de baixos acumulados.
SOJA
A semana será mais desafiadora para as atividades de colheita da soja. No Sul do Brasil, especialmente entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, os volumes elevados entre 50 e 120 mm podem provocar paralisações mais prolongadas e aumentar o risco de perdas de qualidade dos grãos. No Centro-Oeste e Sudeste, as chuvas entre 20 e 50 mm também podem gerar interrupções pontuais na colheita. No Norte e parte do Nordeste, onde as chuvas seguem frequentes, as dificuldades logísticas e operacionais tendem a persistir.
MILHO
As condições seguem, de forma geral, favoráveis para o milho segunda safra no interior do Brasil. As chuvas entre 20 e 50 mm no Centro-Oeste e Sudeste contribuem diretamente para a manutenção da umidade do solo, essencial para o desenvolvimento inicial das lavouras. Em áreas de Mato Grosso do Sul, Goiás e Triângulo Mineiro, esses volumes ajudam a sustentar o potencial produtivo. No Sul, o excesso de chuva pode trazer impactos pontuais, especialmente em áreas mais tardias.
CANA DE AÇÚCAR
Nas principais áreas produtoras do Centro-Sul, especialmente em São Paulo, Triângulo Mineiro e Mato Grosso do Sul, as chuvas previstas ao longo da semana contribuem para a manutenção da umidade do solo, beneficiando o desenvolvimento dos canaviais. Por outro lado, os volumes entre 20 e 50 mm podem provocar interrupções pontuais no início das atividades de corte e moagem, principalmente em áreas onde a colheita já começou. A queda nas temperaturas na segunda metade da semana tende a reduzir o estresse térmico, mas a elevada umidade pode impactar o ritmo operacional nas usinas.
ALGODÃO
As áreas produtoras de algodão no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso e Goiás, seguem com boas condições de umidade do solo devido às chuvas frequentes ao longo da semana. Os volumes previstos favorecem o desenvolvimento das lavouras, principalmente nas fases iniciais e intermediárias. No entanto, a continuidade das chuvas pode dificultar operações de manejo e aplicação de defensivos. Na Bahia, as chuvas no litoral e irregularidade no interior mantêm um cenário de atenção, mas sem grandes restrições hídricas. De forma geral, o cenário é positivo para o desenvolvimento, com ressalvas operacionais devido à umidade elevada.