Pela meteorologista Dayane Figueiredo
Nesta semana a principal área de atenção no Brasil será a Região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul. A atuação de uma frente fria, combinada ao jato de baixos níveis e ao transporte de calor e umidade, deve manter o tempo muito instável no estado entre segunda e quarta-feira. Há risco de chuva volumosa, temporais severos, granizo, descargas elétricas e rajadas de vento que podem superar 90 km/h. Os maiores acumulados devem ocorrer entre o oeste, Campanha, centro, Missões, Vales, Serra e Região Metropolitana, com volumes acima de 150 mm até 2 de agosto e pontos que podem superar 200 mm.
Como os rios ainda estão elevados após eventos recentes, o risco hidrológico também merece atenção. Na agricultura, o excesso de chuva no Rio Grande do Sul pode causar encharcamento do solo, atrasar tratos culturais e aplicações, além de elevar o risco de doenças em lavouras de inverno, como trigo, cevada e aveia. Também há risco pontual de danos por vento forte e granizo. A partir de quarta e quinta-feira, a instabilidade avança para Santa Catarina e Paraná, com chuva mais significativa no oeste catarinense, oeste e sul do Paraná, podendo interromper operações de campo e aumentar a umidade nas áreas produtoras.
No Sudeste, o início da semana será marcado por tempo firme, seco e quente, com grande amplitude térmica. Em São Paulo, a quarta-feira deve ser o dia mais quente antes da virada do tempo. A frente fria chega entre quarta à noite e quinta-feira, provocando pancadas de chuva, aumento de nebulosidade e rajadas de vento entre 60 km/h e 80 km/h. No Rio de Janeiro, a mudança será mais fraca, com chuva isolada e acumulados baixos. Em Minas Gerais, o centro-norte segue seco, enquanto o Sul de Minas e a Zona da Mata podem ter pancadas mais isoladas. Para o café, o tempo seco no início da semana favorece colheita e secagem dos grãos, mas a chuva em São Paulo e, de forma mais pontual, no Sul de Minas, a partir da metade da semana pode causar interrupções temporárias.
No Centro-Oeste, o predomínio será de tempo quente e seco em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e boa parte de Mato Grosso do Sul. A umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 20\%, aumentando o risco de incêndios, poeira e desconforto nas operações agrícolas. O calor será intenso, com destaque para Cuiabá e oeste de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A partir de quarta-feira, a frente fria deve provocar mudança no centro-sul de Mato Grosso do Sul e, na quinta, pode levar chuva ao sul de Mato Grosso, com alívio pontual do calor. Para milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar, o tempo seco favorece colheita, maturação, transporte e moagem, mas exige atenção ao risco de queimadas.
No Nordeste, a chuva segue concentrada na faixa leste, especialmente no litoral da Bahia, Recôncavo, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, em geral com volumes baixos a moderados. No interior, incluindo oeste da Bahia, sul do Piauí, sul do Maranhão e Sertão, predomina a massa de ar quente e seco. O calor deve ser intenso, principalmente em áreas do Matopiba, com baixa umidade e maior risco de estresse para pastagens, culturas irrigadas e operações de campo.
Na Região Norte, as pancadas de chuva seguem mais frequentes em Roraima, norte e oeste do Amazonas, Amapá, norte e oeste do Pará, com risco de temporais isolados, raios e rajadas próximas de 50 km/h. Já Tocantins, sul do Pará, sul do Amazonas e Rondônia permanecem sob maior influência de ar seco, calor e baixa umidade, mantendo atenção para queimadas.
De forma geral, as previsões indicam chuva mais concentrada no Sul do Brasil e no extremo norte do país, enquanto grande parte do interior segue com baixos acumulados. As temperaturas máximas permanecem elevadas em praticamente todo o Brasil central e norte. Com a atmosfera cada vez mais aquecida pela influência do El Niño, aumenta o risco de picos de calor entre Sudeste e Centro-Oeste, além de uma condição ainda mais crítica na segunda quinzena de agosto para Norte e Nordeste, onde o calor pode atingir forte intensidade, especialmente no Matopiba.
CAFÉ
Nas áreas produtoras de café, a semana começa com predomínio de tempo seco no Sudeste, favorecendo a colheita e a secagem dos grãos no Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Alta Mogiana e interior de São Paulo. A baixa umidade e as tardes mais quentes mantêm boas condições operacionais nos primeiros dias do período. Chuvas isoladas atingem áreas do Espírito Santo e sul da Bahia A mudança no tempo ocorre entre quarta à noite e quinta-feira, com o avanço de uma frente fria por São Paulo. A chuva deve alcançar o estado paulista e pode interromper pontualmente as atividades, além de vir acompanhada de rajadas de vento entre 60 km/h e 80 km/h. No Sul de Minas e Zona da Mata, há chance de pancadas mais isoladas na quinta-feira. Quanto as temperaturas, apesar das baixas temperaturas nas madrugadas, com mínimas em torno de 10°C no sul de Minas Gerais neste começo de semana, não há indicativo de frio intenso ou geada com potencial de dano aos cafezais.
MILHO
Para o milho segunda safra, o tempo seco em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, interior de São Paulo e Matopiba segue favorável à maturação, colheita, transporte e escoamento da produção. A baixa umidade relativa do ar contribui para a perda de umidade dos grãos, mas aumenta o risco de incêndios, poeira e desconforto nas operações.
Em Mato Grosso do Sul, a semana começa seca e quente, mas a frente fria deve provocar instabilidade a partir de quarta-feira no centro-sul do estado, com possibilidade de chuva e temporais isolados. Na quinta-feira, a chuva pode avançar para o sul de Mato Grosso, trazendo alívio pontual do calor. No Sul do Brasil, os maiores riscos estão no Rio Grande do Sul, com temporais, granizo, vento forte e acumulados elevados, seguidos por instabilidade em Santa Catarina e Paraná entre quarta e quinta-feira.
CANA-DE-AÇÚCAR
Nas áreas de cana-de-açúcar do Centro-Sul, o início da semana será favorável à colheita, carregamento, transporte e moagem, especialmente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. O tempo seco favorece o avanço das operações, mas a baixa umidade aumenta o risco de incêndios em áreas mais secas. A partir de quarta-feira, a frente fria deve mudar o tempo no centro-sul de Mato Grosso do Sul. Entre quarta à noite e quinta-feira, a chuva avança por São Paulo, com pancadas e rajadas de vento que podem chegar a 60 km/h a 80 km/h. Essas condições podem causar interrupções pontuais nas operações, principalmente em áreas onde a chuva for mais persistente. Após a passagem do sistema, a tendência é de melhora gradual.
ALGODÃO
Nas áreas produtoras de algodão de Mato Grosso, Goiás, oeste da Bahia, Tocantins, sul do Maranhão e sul do Piauí, o padrão segue majoritariamente favorável às operações de campo. O predomínio de tempo seco e os baixos acumulados favorecem maturação, desfolha, colheita e transporte. A atenção permanece voltada à baixa umidade relativa do ar e ao calor intenso, especialmente em Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Matopiba. Em Cuiabá e no oeste de Mato Grosso, as temperaturas podem seguir muito elevadas no início da semana, antes de uma possível redução com a chegada da frente fria ao sul do estado na quinta-feira. No Matopiba, o tempo quente, seco e ventoso mantém risco elevado de poeira, incêndios e estresse operacional, sem previsão de chuva significativa para comprometer as atividades.
TRIGO E CULTURAS DE INVERNO
Para trigo, cevada, aveia e demais culturas de inverno, o principal risco da semana está no Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, a chuva volumosa e os temporais entre segunda e quarta-feira podem causar encharcamento do solo, dificultar semeadura, tratos culturais e aplicações, além de elevar o risco de doenças em lavouras já estabelecidas. Há também risco pontual de danos por granizo e vento forte, com rajadas que podem superar 90 km/h.
Os acumulados podem passar de 150 mm em áreas do oeste, Campanha, centro, Vales e Serra gaúcha, com pontos acima de 200 mm até 2 de agosto. A partir de quarta e quinta-feira, a instabilidade avança para Santa Catarina e Paraná, especialmente oeste catarinense e oeste/sul paranaense, podendo interromper operações de campo. O frio não deve ser o principal fator de risco no período; a maior preocupação segue associada ao excesso de chuva, solo encharcado, granizo e vento forte.