Previsão Semanal Agro: chuvas fortes no centro-sul e alerta de veranico em áreas agrícolas do Brasil

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Semana de 12 a 18 de Janeiro: Avanço de instabilidades provoca volumes acima de 70 mm no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, favorecendo soja, milho, cana e café, enquanto veranico se intensifica no Matopiba e interior do Nordeste.

Pela meteorologista Dayane Nascimento Figueiredo

Chuvas ganham força e impactam as principais regiões produtoras

A semana já começou com o avanço de um amplo corredor de instabilidades sobre o centro-sul do Brasil. Associadas à umidade proveniente da Amazônia, essas condições vão potencializar as chuvas em grande parte das áreas agrícolas entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Os maiores volumes de chuva da semana devem ocorrer entre o norte de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, sul e Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e áreas do sul e oeste de Mato Grosso, com acumulados que podem ultrapassar 70 mm em alguns municípios.

Apesar de provocar paralisações pontuais nas atividades de campo, incluindo a colheita da soja que já começou no Paraná e em Mato Grosso, as chuvas serão fundamentais para a manutenção da umidade do solo e o bom desenvolvimento das lavouras de grãos, cana-de-açúcar, algodão, citros e café no centro-sul do país.

No meio-oeste da Região Norte, a previsão indica chuvas generalizadas e de volumes moderados, especialmente entre Rondônia, Acre, Amazonas, sul de Roraima e oeste do Pará.

Veranico preocupa áreas do Matopiba e interior do Nordeste

Enquanto isso, o tempo seco segue se intensificando no interior do Nordeste. Regiões como o Matopiba, metade leste do Pará, norte de Goiás, centro e norte de Minas Gerais e Espírito Santo devem registrar apenas episódios isolados, rápidos e com baixos acumulados de chuva.

Nessas áreas, o cenário é de calor acima da média e pouca precipitação ao longo desta e da próxima semana, caracterizando um período de veranico, com risco de estresse térmico e hídrico para as lavouras em desenvolvimento.

Sul do Brasil: tempo seco no início e retorno da chuva no fim da semana

No Sul do país, a semana começa com a atuação do ar seco sobre o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina. No entanto, entre quinta e sexta-feira, novas instabilidades avançam pela região, trazendo chuvas de moderada a forte intensidade para grande parte do interior sulista.

Impactos por cultura

Café

As instabilidades avançam desde esta segunda-feira sobre áreas produtoras do Paraná, São Paulo e sul e Triângulo Mineiro, com volumes entre 30 e 50 mm até quarta-feira. Entre quinta e sexta, as chuvas perdem intensidade, mas uma nova frente fria reforça as precipitações no Sudeste durante o final de semana.
Já no norte de Minas, Espírito Santo e Bahia, o tempo segue seco e muito quente, elevando o risco de estresse nas lavouras.

Soja

O aumento das chuvas beneficia áreas produtoras entre o Paraná, São Paulo, centro-sul de Minas Gerais, norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e interior de Mato Grosso.
Os volumes entre 30 e 60 mm até quarta-feira ajudam a recompor a umidade do solo, especialmente em regiões que vinham enfrentando déficit hídrico. No Matopiba e extremo sul do país, a previsão segue com pouca chuva.

Milho

As chuvas no centro-sul favorecem o aumento da umidade do solo, condição importante para a instalação do milho segunda safra, que começa em breve.
Os acumulados de 30 a 60 mm são esperados em áreas do Paraná, São Paulo, centro-sul de Minas, norte de MS, sul de Goiás e Mato Grosso. Já no norte de Minas, norte de Goiás e Matopiba, o tempo segue seco.

Cana-de-açúcar

As precipitações desta semana contribuem para o desenvolvimento dos canaviais, especialmente entre o norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e Triângulo Mineiro, regiões que vinham registrando irregularidade na disponibilidade de água no solo. Os volumes podem chegar a 60 mm até quarta-feira.

Algodão

As chuvas beneficiam lavouras entre o Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde havia déficit de umidade.
Por outro lado, o oeste da Bahia segue sob alerta, com períodos prolongados de calor intenso e pouca chuva, elevando o risco de estresse térmico nos próximos 15 dias.